o fantástico mundo de bob
domingo, agosto 17, 2003
 
Um breve "rezistro" do início da carreira jurídica

Ok, ok... A pedidos e vencendo minha inveterada preguiça, volto a atualizar o blog, depois de longo período. Vou contar as mais recentes aventuras do mundo de bob, já que os contos prometidos ainda não ficaram prontos.


Bom, essa está meio atrasada, pois aconteceu no início do mês (ou no dia 30 ou 31 de julho). Viajei pela primeira vez para Brasília — infelizmente a trabalho. Mas vejam que conclusão deliciosa: se Deus existe (fato de que duvido muito), com certeza escreve certo por linhas tortas. Digo isso porque nada do que eu fui fazer rendeu. No entanto, acabei reencontrando Val (Gabriela Valente), jornalista e amiga dos tempos de São Paulo, e derramamos algumas tulipas de chope. Aliás, o novo namorado da Val me contou a piada mais engraçada que ouvi em muito tempo. Enfim, foi uma noite aprazível. Sobre o que ocorreu durante o dia vou ocultar os detalhes, visto que foi um fiasco jornalístico (para resumir, duas entrevistas marcadas que furaram; ou seja, a Folha Dirigida me pagou para passear em Brasília).

Na semana que passou, meus caros, iniciei a tão aguardada trajetória no mundo das ciências jurídicas. Com a experiência de quem fez comunicação social numa universidade pública, vou listar para vocês os principais estranhamentos que estudar na Estácio pode suscitar. A saber:

1 – Você percebe que tem alguma coisa errada quando entra numa faculdade, assina um cheque, ninguém aplica uma prova para testar seus conhecimentos, simplesmente o aceitam e, daí, começam as aulas. Tudo assim, muito simples. Parece um escolão de segundo grau.

2 – O surreal mesmo nessa primeira semana foi perceber a neura que o pessoal da Estácio tem em relação a resultados. É um tal de falar sobre critérios de aprovação, Provão, exame da Ordem e similares, que fiquei com a sensação de estar me preparando para o vestibular. Em todas as primeiras aulas, os professores mencionam o que é preciso para passar na disciplina... Só que de uma forma tão metódica que se torna desnecessário. Porquê? Porque a Estácio tem um padrão aplicado a todas as matérias. Então, vamos convir: se as diretrizes são explicadas uma vez, dispensam-se as demais (a menos que não se queira evitar a redundância).

3 – Falem o que quiser, podem me tachar de preconceituoso, mas não tem jeito. Salvo exceções (como eu, claro), o alunado da Estácio é MUITO burro. Dá até pena dessas pessoas, porque, na verdade, muitas vezes isso não é culpa delas. A falta de oportunidades aliada à necessidade de trabalhar produz um contingente que desaprendeu a pensar. E, nesse processo, verteu-se para sua própria realidade, tirando dali (e quase sempre apenas dali) seu sustento intelectual. O que é muito pouco para iniciar qualquer discussão acadêmica minimamente interessante. Tudo que é dito pelos professores é processado por esses discentes levando em conta seu cotidiano (pobre de reflexão) ou cenas da televisão. Sem mais delongas, o importante é o seguinte: vou levando burocraticamente a faculdade, até conseguir (e vou, vocês verão) transferência para a UFRJ. Até lá, vou me sentindo um estranho no ninho.

4 – Por fim, só para dar uma idéia da precariedade intelectual da Estácio, vou contar uma historinha. Neste semestre, terei aulas apenas de terça-feira a sexta-feira. Pois bem, nos três primeiros dias, embora já tivesse percebido as limitações dos meus colegas, os professores até que vinham angariando minha simpatia. São preparados, esforçados, alguns até muito bons. Na sexta-feira, na aula que vai das 20h40m às 22h40m (o pior horário da semana) eu esperava um gran finale, um fecho de ouro, até como forma de criar ânimo para suportar o fim dos chopes das sextas até o fim do ano. Mas, galera, não deu: a mulher de Metodologia e Pesquisa (esse porre de disciplina) é muito fraca. Comentando um caso de guarda de filhos, ela conseguiu repetir, em menos de dois minutos, a palavra “rezistro” (ou congêneres, como “rezistrar”, “rezistrando” etc.). Aquilo me fez tão mal, que deu vontade de vomitar. Sério mesmo. Quase pus os bofes para fora de tão transtornado que fiquei. Parafraseando um brilhante jornalista que conheci no Globo, como pode uma professora universitária perpetrar tal assassinato à língua portuguesa? Melhor nem pensar muito. Vou tentar esquecer.

Bom, prometo voltar mais constantemente, da próxima vez com mais contos.

Grande abraço.

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