o fantástico mundo de bob
segunda-feira, novembro 10, 2003
 
Figuras da Lapa

Vou inaugurar outra seção neste blog. Apresentarei, de tempos em tempos, representantes da fauna da Lapa, com a qual tenho contato no caminho para o trabalho (para os incautos, reproduzo o trajeto: salto no metrô da Cinelândia e vou andando até a Folha Dirigida, na Rua do Riachuelo).

O primeiro deles é o burguês por vocação. Dia desses, caminhando célere em direção à FD, ouvi uma poesia estranhíssima, que atraiu os meus ouvidos. Parecia encerrar, em si mesma, toda a lógica capitalista:

"Nós queremos fazer negócio com você.
Mas nós queremos ganhar.
E nós queremos que você também ganhe."

Proferido com voz enigmática, o terceto adquiriu uma aura surreal quando percebi quem verbalizava tais palavras. Era ele, o burguês por opção. Poderia chamá-lo de mendigo, mas seria reducionista. Blazer preto amarfanhado, cueca samba-canção em exibição, cabelo black power desgrenhado, um fedor insuportável exalando dos poros, apontando para uma tábua com pequeninas quinquilharias. Era ele, uma síntese dos tempos modernos, exarando conceitos marqueteiros, ao mesmo tempo que expunha, aos transeuntes desatentos, que nem sempre se ganha no mundo dos negócios. Mas nem por isso se perde a pose.
 
Poesias de Bob

Bob resolve se arriscar num terreno que sempre considerou pantanoso... a poesia. E já estréia inaugurando uma escola poética: a jornalístico-factual-urbano-contemporânea. Vejam os primeiros versinhos dessa nova modalidade literária.

Eu avisei

"Sou filho da puta,
sou torturador
Meu nome é Ernesto Geisel
Eu toco o terror"

Rap do gari cosmopolita

"Olha, companheiro
Uma coisa vou dizer:
Cidade limpa na África
É um espanto, podicrê"


Mandando a real

"Lordes e plebeus,
Encarem a verdade profunda
Nosso amado príncipe Charles
Gosta mesmo é de dar a bunda"

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